BANZEIRO DE VIDA - FLÁVIO DE BRITTO
Primolius informa...
Terfolio contemplou o horizonte, percebendo que a maré avançava silenciosamente pelos manguezais. O mar, com sua geometria de ângulos perfeitos, gradualmente reintroduzia em seus olhos a visão das águas que sempre foram sua companhia. Enquanto abanava o fogareiro, o jovem fez uma oração, evocando a saudade que sentia de sua família, ausente há duas semanas desde que partira de sua casa.
A vida no pequeno retiro revelava-se melancólica, onde o mar, a praia, os peixes e os pássaros se tornavam seus únicos interlocutores. Além disso, o constante vento levava suas palavras para o infinito da areia, criando uma comunicação efêmera. A praia, tão branca e imaculada, sustentava um pequeno espaço de palafitas, preparado para o momento em que o mar generosamente oferecia seus mais belos frutos aos muitos filhos daquele ambiente.
Enquanto Terfolio se via imerso nesse cenário de solidão e espera, suas memórias familiares o reconectavam à essência da vida naquele retiro, onde cada elemento natural era parte integrante de sua existência isolada, mas profundamente entrelaçada com a natureza ao seu redor.
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